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Homilia de Dom Moacir no início do ministério na Catedral

"Saudação:
Cardeais, Bispos, Padres da Arquidiocese, de outros lugares, especialmente os Diocese de São José dos Campos. Diáconos, Seminaristas, Religiosos, Religiosas e Autoridades. Os fiéis da diocese de São José dos Campos, particularmente meus familiares.




Queridos irmãos e queridas irmãs, fiéis da Arquidiocese de Ribeirão Preto. Com esta celebração eucarística estou iniciando meu ministério pastoral nesta Igreja Particular de Ribeirão Preto. Venho com alegria, pois tenho certeza de que esta é a vontade de Deus para mim neste momento de minha vida. Venho com a disposição de doação total de mim mesmo a esta missão. Eu não me pertenço. Assumo esta missão, firmado na graça de Deus que jamais falta. Rezem por mim para que eu não atrapalhe a ação de Deus.

 Queridos padres, venho com o desejo de vivermos uma profunda comunhão na mesma missão, a serviço desta porção do povo de Deus que foi confiada aos nossos cuidados pastorais. O mesmo digo aos diáconos.

 Caríssimos religiosos e religiosas sou grato a Deus por vocês enriquecerem o nosso povo pela vivência dos próprios carismas entre nós.

 Aos estimados seminaristas, exorto: sejam firmes, decididos e generosos na resposta ao Senhor que chama. Aos amados leigos e leigas, exorto: sejam sempre homens e mulheres da Igreja no coração do mundo, e homens e mulheres do mundo no coração de Igreja.

 Aos queridos jovens recordo: vocês são o presente da Igreja e da humanidade. A Igreja precisa de vocês, como jovens, para manifestar ao mundo o rosto de Cristo, que se desenha na comunidade cristã. Sem o rosto jovem a Igreja se apresentaria desfigurada, dizia Bento XVI aos jovens em São Paulo, em 2007. Aos irmãos sofredores, doentes e pobres, asseguro minha proximidade e oração.

 Caríssimos padres, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas, leigos e leigas, agentes de pastoral, gostei muito do Plano de Ação Pastoral da Arquidiocese, do modo como foi construído e de como vem sendo aplicado nas 10 foranias. Continuemos firmes, avançando para águas mais profundas na aplicação deste Plano.

 Queridos irmãos e queridas irmãs! A liturgia deste Domingo coloca no centro da nossa reflexão a figura de Jesus: quem é Ele e qual o impacto que a sua proposta de vida tem em nós? A Palavra de Deus que nos é proposta impele-nos a descobrir em Jesus o “Messias” de Deus, que realiza a salvação dos homens através do amor e do dom da vida; e convida cada “cristão” à identificação com Cristo – isto é, a “tomar a cruz”, a fazer da própria vida um dom generoso aos outros.

 Na primeira leitura, o profeta Zacarias anuncia a ação restauradora de Deus sobre seu povo. Deus dará ao povo um Espírito que o fará desejar estar sempre em sua presença e suplicar sua força para recuperar a própria dignidade diante do Senhor e dos outros povos.

 Será necessário um grande sofrimento para o povo se dar conta disso, como foi no Egito e no deserto. O personagem da primeira leitura, aquele que eles feriram de morte, é identificado como sendo uma figura de Jesus crucificado. Todos são convidados a contemplar Cristo, condenado e pregado na Cruz, como Salvador da humanidade.

 No Evangelho, Cristo provoca a profissão de fé dos discípulos. A introdução do texto apresenta Jesus em oração. Antes de cumprir um gesto importante ou antes de ensinar, Jesus se recolhe em oração. O acontecimento que vem a seguir deve, portanto, ser considerado relevante.

 Jesus, primeiro, questiona sobre qual a opinião do povo a seu respeito. Quem o povo acha que Ele é? Depois, pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Pedro, em nome de todos, responde: “O Cristo de Deus”. Jesus proíbe que divulguem isso, pois ainda eram necessárias sua paixão, morte e ressurreição para que se revelasse plenamente sua divindade.

 O Sofrimento de Jesus está relacionado com seu modo de viver. Longe de buscar glórias mundanas, Jesus vivia uma experiência de Deus muito diferente daquela concebida pela religiosidade do seu tempo.
 Anunciava um Reino de igualdade e solidariedade, muito mais exigente do que, até então, se conhecia. Sua morte será consequência de sua opção pelo Reino de Deus, da sua união com Deus Pai e da sua solidariedade para com os homens.

 Jesus ressalta que quem quer ser seu verdadeiro discípulo deve passar por semelhante processo de entrega livre, gratuita e generosa por amor à humanidade. Com Deus não se perde. Os critérios que devemos usar não são o reconhecimento e o sucesso humanos. Tudo de bom que fazemos está guardado no coração de Deus. Não há cofre mais seguro.

 São Paulo, na segunda leitura de hoje, reafirma que os batizados se revestiram de Cristo e precisam demonstrar isso destruindo tudo que impede a humanidade se ser uma só família, tudo que impede de ser co-herdeira da promessa de vida para todos, feita a Abraão, o pai da fé. 

 Para o cristão sentir-se filho de Deus implica também viver como irmão de todos. É preciso superar as divisões que a própria cultura vai criando e legitimando: judeu e grego, escravo e livre, homem e mulher...

 A Palavra de Deus, hoje, apresenta o itinerário para termos a certeza de nossa salvação: crer e confessar que Jesus é “o Cristo de Deus”, porém, não só isso, é necessário também seguir Cristo no dia a dia, fazendo a entrega de sua própria vida pelos irmãos.

 Professar a fé em Cristo é vital para quem é batizado. Mais importante, porém, é deixar Cristo viver em si; assumir sua missão: a entrega na cruz, ou seja, fazer própria vida uma doação livre, gratuita e generosa em favor dos irmãos e irmãs.

 Assim anunciar a todos que somos irmãos e irmãs, tendo Deus como Pai, mostrar a necessidade de transformar tudo o que desune, quebrando as barreiras que impedem a humanidade de ser uma só família em Cristo Jesus. Jesus proíbe que digam ao povo que ele é o Messias não porque o povo não o deva saber, mas por não estarem ainda entendendo que tipo de Messias era Jesus.

 Lucas é o único evangelista que insere nas palavras de Jesus o inciso “cada dia”. O dom total de si envolve o discípulo “cada dia”. Todos conseguem, eventualmente, manifestar um gesto isolado de generosidade, todos conseguem esquecer a si mesmo por uma hora. Difícil é manter esta disposição “cada dia” durante toda a vida.

 Acreditar em Jesus não significa professar a fé num “pacote de verdades” ou ideias, mas segui-lo, participando do seu destino. Aderimos à pessoa de Cristo – Caminho, Verdade e Vida – e não a uma doutrina, ou ideia. Estou aqui para prosseguir meu seguimento de Jesus Sumo sacerdote, junto com os presbíteros nos seguimento de Jesus Bom Pastor, com os diáconos no seguimento de Jesus Servidor, com os fiéis leigos e leigas no seguimento de Jesus Luz do Mundo, com os consagrados e consagradas no seguimento de Jesus Testemunha do Pai.

 Que o Senhor, por intercessão de São Sebastião, nos sustente com sua graça no seguimento de Jesus Cristo, hoje e sempre. Amém"

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano
Fonte: www.arquidioceserp.org.br